As duas Portalegre’s

Lembrei ontem, como aliás aqui faço com frequência, a cidade brasileira de Portalegre, que há anos me honrou com a distinção de cidadania, título assumido com orgulho que não escondo.

Essa outra minha cidade, no magnífico interior serrano do Rio Grande do Norte depois do árido sertão, viveu no dia da sua Padroeira a grande e tradicional veneração.

Disso deu o amigo Afrânio Gurgel uma explícita conta, pois pudemos assistir, pelo directo que os utilitários sistemas de comunicação on line permitem, à cerimónia religiosa onde teve intervenção outro saudoso amigo, o padre Dário Torboli. Também houve, mais tarde, a disponibilidade de um vídeo da procissão entre a Igreja e a Casa de Cultura, bem como de fotografias de diversas outras solenidades do dia.

Pude igualmente registar com agrado a nota que a Prefeitura Municipal de Portalegre RN colocou nas redes sociais a propósito da efeméride, onde se destaca a alusão toponímica à cidade portuguesa com o mesmo nome, como tal usada pelo Fundador, que ali vivera com o pai, também juiz, e bem conhecia as familiares semelhanças da comum paisagística montanhosa.

Espero que a Portalegre alentejana, ligada à sua “gémea” brasileira por laços de uma amistosa e justificada geminação, não se tenha esquecido de explicitar as devidas e oportunas felicitações…

somos todos marcianos

De todos os planetas no nosso sistema solar nenhum conseguiu capturar tanto a nossa imaginação colectiva como Marte. Acompanhámos a primeira missão a Marte, em 2033, à medida que a tripulação se esforçou por aterrar em segurança e colonizar o planeta. No seguimento da entusiasmante missão de ir a Marte, a National Geographic apresenta agora uma nova linha de programação, que consegue aliar um drama de qualidade cinematográfica que acontece no futuro, com sequências de documentários que incluem pioneiros actuais no campo da tecnologia espacial.

Esta nova temporada da série “Marte” viaja até ao ano 2042.

Um grupo de mineiros de uma empresa privada chega ao Planeta Vermelho para explorar os seus recursos naturais.

“O mais difícil da vida em Marte somos nós.” Este é o mote para a nova temporada, em curso, de seis episódios da série que mistura “factos científicos” com a realidade, como fazem questão de dizer os produtores.

Na primeira temporada de Marte, passada no ano 2033, os tripulantes da nave Daedulus fizeram uma viagem de sete meses para chegarem ao Planeta Vermelho (a série foi gravada no deserto de Marrocos), mas agora, em 2042, os desafios são outros.

Nestes nove anos, os seis melhores cientistas mundiais de cinco nacionalidades – uma geóloga russa, um geoquímico espanhol, um piloto e um comandante dos EUA, uma física francesa e um engenheiro mecânico da Nigéria – construíram uma cidade a que deram o nome de Olympus, mas os recursos financeiros da IMSF (agência financiada pelo Estado) não são ilimitados e abrem-se as portas ao sector privado. Assim, chegam a Marte os mineiros da Lukrum, uma empresa com fins lucrativos que tem como objectivo explorar os recursos naturais do planeta.

Os produtores-executivos (Ron Howard, Brian Grazer e Justin Wikes, entre outros) convidaram mais especialistas para falarem sobre a conquista de Marte. A Elon Musk, CEO da Space X, que tem sido comentador habitual, juntam-se o físico teórico Michio Kaku, a ex-líder da NASA Ellen Stofan e o escritor de best-sellers Jared Diamond. A luta entre a exploração científica e a indústria privada é o ponto fulcral desta temporada. Será que aprendemos com os erros que cometemos na Terra ou estamos condenados a tomar as mesmas decisões e a dar cabo de outro planeta?

É apaixonante esta série em curso no canal National Geographic, aos domingos, pelas 22h30. Vale francamente a pena acompanhá-la.

Um jornal com memória

Há dias, aqui em Peniche, desloquei-me a um serviço público onde fui primorosamente atendido, como  costuma ser  timbre quase geral nos departamentos locais. Falo pela experiência própria.

Ao sair, porque estava à disposição dos utentes, recolhi um exemplar de jornal Região Oeste, que não conhecia. Li-o de ponta a ponta com interesse.

Quinzenal, com sede no Bombarral/Cadaval, apresenta um atraente aspecto gráfico e um conteúdo que corresponde às claras intenções definidas no seu estatuto editorial, onde se conjuga o geral com o regional. Para além destas evidências ressalta uma explícita vertente cultural.

A quase absoluta ausência de um jornal similar em Peniche, hoje dotada de um modesto mensário paroquial, mais faz realçar a importância comunitária de um órgão local de comunicação social como decisivo instrumento de progresso. Assim, sem qualquer hipótese de relatar a actualidade mais recente e de projectar o futuro imediato, A Voz do Mar em pouco ultrapassa a sua função de registo necrológico…

O presente jornal Região Oeste, como muito bem justifica no seu Editorial – Guerra e Paz– aborda o candente tema da I Guerra Mundial, sobretudo a propósito da efeméride do Armistício. E lembra judiciosamente a ligação directa da guerra com as mais de duas centenas de naturais de Bombarral/Cadaval que nela participaram e cujos nomes já uma anterior edição divulgara, em Quadro de Honra. Louvável e oportuna iniciativa!

Para memória futura, aqui fica a reprodução destas notáveis páginas de um quinzenário regional do Oeste com muitos outros motivos de interesse.