Parabéns ao CineEco

O Festival CineEco, de Seia, conclui amanhã a sua 25.ª edição. Incluiu nesta sua comemoração dos 25 anos uma selecção oficial de 80 filmes, de 20 países, que abordam questões inerentes ao Ambiente e à Emergência Climática, uma reflexão geral sobre o impacto da acção do Homem na Terra. O CineEco aconteceu entre os dias 12 e 19 de Outubro, continua a ser um evento gratuito e, este ano, voltou a contar com uma vasta programação paralela a reter.
O CineEco é organizado pelo Município de Seia e conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República e do Departamento de Ambiente das Nações Unidas. É co-financiado pelo Fundo Ambiental no âmbito do Aviso Educarte: Educar para o Território, tem o apoio do Turismo de Portugal e da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela e conta como patrocinador principal a Lipor.
É um dos festivais de cinema de ambiente mais antigos do mundo e membro fundador e da direcção da Green Film Network, uma plataforma de 40 festivais de cinema ambiental.
Tenho uma magnífica memória pessoal do CineEco e há precisamente cinco anos dei aqui conta, no blog, desse sentimento.
Hoje, com as mais sinceras e solidárias felicitações à organização do CineEco, recordo com alguma emoção e saudade o artigo de 18 de Outubro de 2014.

CineEco – vinte anos ao serviço do Ambiente e do Cinema

Encerra-se hoje, em Seia, a 20.ª edição do CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, um evento que junta Ambiente e Comunicação, o mais antigo e credenciado do país, o único que hoje se mantém activo e operante.

Sei por experiência própria o que é, por dentro, a organização e a manutenção de um evento semelhante, pois vivi essa aventura, ao longo dos anos em que, em Portalegre, coordenei o festival Ambiente. Iniciativa do então presidente da Região de Turismo do Norte Alentejano, Ceia da Silva, um homem com visão de futuro, foi-me confiada essa responsabilidade.

Dei o melhor que sabia e podia. Logo antes do arranque, em 1998, fomos ambos a Seia, precisamente com a intenção de solicitar a ajuda do CineEco, por essa altura na sua 4.ª edição. E foi leal, fraterno e solidário o apoio recebido, o que nos permitiu o lançamento na aventura que sonhávamos.

Depois, crescemos muito depressa, talvez excessivamente e sem qualquer sustentabilidade, sobretudo por parte das autoridades locais, mas a verdade é que conseguimos, durante seis anos consecutivos (mais um, posterior!), provocar a razonal dinamização do distrito, sobretudo no meio escolar, alargar progressivamente o âmbito competitivo, formativo e exibicional do binómio ambiente/audiovisual, depois abrangendo o multimédia. E chegámos longe, à Alemanha, à África do Sul, ao Japão… Criaram-se em tal pretexto cumplicidades e sólidas amizades.

João Barbosa, qualificado pedagogo e poeta que honra este blog com a sua amizade e inspirada colaboração, é paradigma destas relações criadas no seio do festival portalegrense. Um dia, se houver oportunidade favorável, dedicarei ao Ambiente – Encontros Internacionais de Imagem e Som do Norte Alentejano alguma mais alargada atenção, aqui no Largo dos Correios/Fonte do Rosário.

Hoje, porém, o lugar de honra é justamente dedicado ao CineEco.

Ininterruptamente, duas décadas cumpridas, o seu papel é inestimável. Nunca esqueci a relação nascida em Outubro de 1998, vão dezasseis anos passados, e os seus principais protagonistas, naquilo que respeita à minha apreciação pessoal.

Antes do mais, Carlos Teófilo, a alma principal do evento, que nos abriu as portas e sempre se interessou pelo nosso percurso, irmãos que fomos nos objectivos de defesa do Ambiente, de promoção dos meios de comunicação ao seu serviço, de preocupação pedagógica na intervenção, sobretudo junto dos jovens. Mantém-se hoje na Comissão Executiva do Festival e é um exemplo de permanência com elevada qualidade e eficácia, aliando simpatia e uma disponibilidade de excepção a tal desempenho.

Depois, Lauro Corado, um Homem do cinema e a maiúscula é intencional e justa. Com uma boa parte da sua formação, até na iniciação à 7.ª Arte, acontecida em Portalegre, juvenil amigo de José Régio quando o seu pai foi activo membro da tertúlia regiana do Café Central, Lauro Corado orientou largos anos a componente exibicional e artística do CineEco, valorizando-o com o seu profundo conhecimento do cinema.

Finalmente, Carlos Brandão Lucas, um consagradíssimo realizador que, ligado ao festival serrano, se dividiu depois pelo nosso, a quem dedicou uma intervenção que assumiu um papel em muito ultrapassando a participação competitiva, desde logo valiosa, para além de largamente premiada. Com a aprofundamento da relação com Portalegre, foi aí autor de alguns magníficos documentários culturais, sobretudo de divulgação turística, onde a sua arte encontrou motivos para o exercício de uma invulgar criatividade.

O CineEco, muito justamente, prestou-lhe ontem mesmo uma homenagem pública.

Neste dia em que o festival ambiental de Seia encerra brilhantemente a sua 20.ª edição, quis lembrar Carlos Teófilo, Lauro Corado e Carlos Brandão Lucas como personalidades a quem, muito para além da relação institucional travada durante os fascinantes anos em que o festival portalegrense durou, devo atenções, provas de fraterna amizade e uma lembrança que não se extinguiu nem extinguirá.

Ao CineEco, com sinceros parabéns, desejo um futuro digno do seu exemplar passado, ao serviço da nobre causa que abraçou.

António Martinó de Azevedo Coutinho
18 de Outubro de 2014