A BD vista por Carlos Gonçalves – oitenta e três

AS MULHERES DA SELVA – IV
NYOKA, A RAPARIGA DA SELVA

“Nyoka” surge pela primeiras vez na série de “comics” intitulada “Jungle Girl” nº. 1 de 1942. Contava o enredo que o seu pai “Dr. John Meredith” resolveria ir ajudar os indígenas ao oferecer a sua  perícia como médico. Esta vinda tinha mais uma vertente de fuga, pois seu irmão gémeo era um criminoso convicto e tal só prejudicaria a sua vida profissional.

Mais tarde, o seu irmão irá tentar matá-lo para ocupar o seu lugar devido ao serem gémeos e, provavelmente, mais tarde, ninguém descobriria tal facto. Mas “Nyoka” descobriu o seu plano e evitou-o salvando seu pai. O seu noivo chamava-se “Larry Grayson” e algumas vezes salva a vida de “Nyoka” continuamente em perigo. Nas outras séries dá-se precisamente o inverso, na maior parte das vezes.    

 

A “Nyoka” apareceu no nº. 1 do Outono de 1942 do ”comic-book” intitulado “Nyoka The Jungle Girl” e terminou no nº. 77 datado de Junho de 1953. No Brasil e tanto quanto conhecemos “Nyoka” surge no nº 161 da revista “Guri” mensal. Em 1988 a AC-Comics editou 5 ”comic-books” com novas aventuras da personagem e recolheu igualmente algumas histórias clássicas. O título da publicação era “The Further Adventures of Nyoka The Jungle Girl”. Algumas fotos de cenas dos filmes serviram para capas e também para ilustrar as revistas.

NYOKA NO CINEMA

“Jungle Girl” foi um dos primeiros filmes seriados sonoros em que a intérprete principal era uma mulher. O enredo era o que já sabemos e Frances Gifford era a actriz principal. O argumento do filme inclui mais um episódio de um amuleto que nos levará a um esconderijo com diamantes. Tornava mais excitante a aventura. Este filme era uma sequela do primeiro intitulado “The Perils of Nyoka” com Kay Aldridge que não quis repetir o seu papel sendo substituída. A actriz já tinha participado também no segundo filme “Nyoka and The Tigermen”.

Os três datam de 1942. Naquela época algumas semanas eram suficientes para produzir um filme. Entre 1929 e 1956 foram realizados 231 filmes sonoros dos chamados seriados (em episódios). O filme “The Perils of Nyoka” foi produzido de Março a Maio de 1942.           

Não chegaria a três meses de produção. Para alguns duas ou três semanas eram suficientes… Se formos comparar com as produções de hoje, em que são gastos milhões de dólares e às vezes anos de produção, realmente o abismo é colossal. No entanto, os artistas dessa época não eram piores ou melhores dos que hoje povoam as salas de cinema.    

Normalmente as figuras principais destes filmes eram os homens, as mulheres tinham sempre um papel secundário. De todas as produtoras/distribuidoras a Republic era uma das principais e a de maior sucesso . No entanto, a Universal, tenta também o seu lugar ao sol, com os filmes de “Flash Gordon (1936), “Flash Gordon’s Trip to Mars” (1938) e “Flash Gordon Conquers The Universe (1940), todos com Buter Crabbe. A Republic como desafio à Universal lançou 4 filmes de “Dick Tracy” entre 1936 e 1941.

Mas a coroa de glória desta produtora seriam sete filmes do “Zorro”, com os quais iria atingir um lugar cimeiro neste ramo durante alguns anos. Lança ainda no mercado os filmes de “Nyoka”, onde pela primeira vez uma “heroína” luta contra uma vilã (Vultura). Se alguns dos leitores viu e ainda se lembra dos filmes do “Zorro”, havia uma cena em que o “Zorro” ou o “Tonto”, já não me lembro qual, saltava de um morro para a sela do cavalo três vezes (mas sempre a mesma acção…) Havia cenas destas nos filmes.

AS MULHERES DA SELVA NOS QUADRINHOS NO BRASIL

As “heroínas” da selva foram também publicadas no Brasil através da editora Ebal. Surgiram na revista “Herói” nº. 1 datado de Julho de 1947 e terminaram no nº. 38, apesar desta colecção ter continuado até ao 100 na sua primeira série.

Teve dois Almanaques com estas personagens o de 1948 e de 1953. A “Minha Revistinha” da mesma editora e que possuía um formato A5 deitado apareceu com estas personagens a partir do nº. 20 de Agosto de 1963, mudou de formato no nº. 32, mas continuou até ao 48 de Dezembro de 1965. Mais tarde e numa recolha de histórias antigas surgiu o “Super X” em formato de Livro (um pouco maior) com 9 números editados entre Abril de 1980 e Dezembro do mesmo ano.

Evidentemente que as personagens não eram só as raparigas, também havia os rapazes: “Kionga, O Senhor das Florestas”, “Tabu”, “Wambi”, etc..

                                                                                                             Carlos Gonçalves