mil novecentos e sessenta e um – dia 357

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Como são diferentes os sábados em Portalegre!!! Sobretudo este, com o pesadelo de Mafra afastado, espero que para todo o sempre. Porém, por ironia, tenho saudades do Caprichoso, do tenente Vigário, até mesmo do tenente Vaz Serra, embora visse este menos vezes, quase sempre a propósito dos inesquecíveis voos. Será que volto a encontrá-los? Quanto ao Carlos Caprichoso não tenho a mínima dúvida, porque um amigo assim, ganho em Tavira e confirmado em Mafra, não pode perder-se! Para mais, a Adrilete e a Clara entenderam-se muito bem. Também deve acontecer que o tenente Vaz Serra, que aqui namora uma das filhas do senhor Romba, da farmácia, volte de vez em quando a Portalegre na sua potente e ruidosa moto. Quanto ao tenente Vigário, de quem nem tenho o contacto e sendo de Aveiro, vai ser mais difícil reencontrá-lo. Fiquei seu amigo, porque se revelou um competente condutor de homens, com verdadeira capacidade de liderança.

Hoje, passei a manhã em diligências diversas, revendo amigos que ainda não tinha encontrado e indo às Redacções dos três jornais para corrigir a morada de envio, de Mafra para aqui. A Rabeca do dia 20 já tinha saído para o Correio, mas deram-me outro exemplar, a Voz não foi publicada esta semana e o endereço do Distrito, de que me mantenho como assinante desde que fui professor nas Galveias, voltou ao anterior. Tudo arrumado, quanto a este assunto.

Sobre a incontornável Índia, as últimas notícias garantem que os nossos soldados aprisionados em Goa, Damão e Dio vão poder corresponder-se com as famílias. Até regressarem, repatriados, talvez isto possa aliviar um pouco a natural angústia de muita gente sem culpa ou responsabilidade nesta tragédia.

De resto, continuamos todos sem o conhecimento exacto do que teria acontecido, quando e como. Aguardemos com paciência.

Continuam as manifestações de protesto, um pouco por todo o lado, como por exemplo até no Rio de Janeiro. Aqui em Portalegre, houve uma organizada pelos alunos do Liceu, que percorreu em silêncio as ruas da cidade e terminou no Governo Civil. Teve muita participação e as capas negras criaram um autêntico ambiente de luto.

Do Katanga chegam notícias de mortos e feridos em combate. Quando terminará essa guerra?

Após um prolongado silêncio, voltou a falar-se de Berlim, onde apenas os Estados Unidos e a Inglaterra estão dispostos a negociar com a Rússia sobre essa questão. A França colocou-se de fora.

O prof. Calvet de Magalhães publicou hoje, no Diário de Lisboa, um artigo sobre a razão do concurso O Natal visto pelas crianças, que este ano teve a participação de 8.513 trabalhos. Um verdadeiro êxito!

O tempo continua a brindar-nos com sol e até algum calor, apesar de estarmos quase, quase, no Natal.

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