Anos XXX e XL – 23

A página inicial do dossier dedicado ao distrito de Leiria, em 1966, começa com a intervenção institucional do respectivo Governo Civil, conjuntamente com representação dos concelhos de Alcobaça, Figueiró dos Vinhos, Batalha e Pombal.

Com excepção de Figueiró, todas as outras entidades se fazem acompanhar dos retratos dos seus responsáveis, sendo o maravilhoso castelo de Pombal a única imagem paisagística junta.

O governador civil destaca as 266 inaugurações de outras tantas obras distribuídas pelo distrito, em comemoração dos quarenta anos da Revolução Nacional.

Alcobaça, exemplo dignificante de trabalho e boa administração, perde-se numa exaustiva descrição dos melhoramentos devidos a tais predicados. Por isso torna-se difícil vislumbrar projectos de futuro, entre ruas, esgotos, terraplenagens e pavimentações, fontes e pontes…

Pombal, tendo atingido um plano de excepcional relevo no distrito em função de muitas realizações importantes, deseja sobretudo a beneficiação de toda a sua rede de estradas e caminhos municipais, a construção do mercado da vila e a ampliação da rede de distribuição de energia eléctrica às quatro freguesias que ainda a não possuem.

Figueiró dos Vinhos, tendo beneficiado de grandes e úteis realizações com a política construtiva do Estado Novo, tem como preocupações imediatas todas as vias de comunicação, assim como o abastecimento domiciliário de água, a rede de saneamento e a energia eléctrica, sobretudo na sede do concelho.

Batalha, terra do Mosteiro, é dos mais progressivos concelhos do País (!?). Apesar disso, ainda mantém algumas aspirações, tais como o abastecimento de água e a rede de saneamento, na sede, a urbanização em volta do Mosteiro e as suas electrificação interior e iluminação festiva exterior, a remodelação da rede de energia eléctrica pública, a construção e reparação de estradas e a construção de um lavadouro público.

Rota dos Dinossauros – Lourinhã

A 13.ª Caminhada da Rota dos Dinossauros conta com um percurso de 9 quilómetros, com partida do GEAL – Museu da Lourinhã e chegada ao Forte de Nossa Senhora dos Anjos de Paimogo.

 Concentração: 8H30 (em frente ao Museu);

 Inscrições: no Balcão do Munícipe até dia 21 de Setembro;

 Taxa de inscrição: 2€ (inclui seguro, água, visita ao Museu e transporte de regresso).

Jornadas Europeias do Património 2017 – Alegrete (Portalegre) e Peniche

JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO 2017 – ALEGRETE

 Numa das vilas mais bonitas de Portugal – ALEGRETE (Portalegre) – irão decorrer as Jornadas Europeias do Património 2017, nos dias 22, 23 e 24 de Setembro.

 O tema deste ano será o Património e a Natureza.

 Neste evento pretende-se chamar a atenção para a importância da relação entre as pessoas, as comunidades, os lugares e a sua História, mostrando como o Património e a Natureza se cruzam nas suas diferentes expressões – mais urbanas ou mais rurais – e para a necessidade de preservar e valorizar esta relação, fundamental para a qualidade da vida, para a qualificação do território e para o reforço de identidades.

O Município de Peniche associa-se ao Programa nacional das Jornadas Europeias do Património, este ano subordinadas ao tema “Património e Natureza. Pessoas Lugares e Histórias“, que se assinalam no último fim de semana de Setembro.

 Convidam-se todos os interessados a participarem nas seguintes actividades:

– Visitas guiadas ao Museu Municipal / Fortaleza de Peniche e ao Museu da Renda de Bilros de Peniche.
 23 de Setembro, às 11h00, e 24 de Setembro, às 16h00.
Entrada gratuita aos participantes na visita, mediante pré-inscrição obrigatória através do contacto 262 780 116.
 – Rota das Igrejas do Concelho de Peniche – Itinerário pelo Património Religioso.
 Entrada livre.
 Mais informações e horários de abertura dos 11 templos que integram a Rota disponíveis na página do Município de Peniche em
                      www.cm-peniche.pt/RotaIgrejas_concelhopeniche

 Participe!

Regresso à Ilha Negra

A primeira e única vez que lá estive foi há muito, muito tempo.

Era ainda criança, logo depois do bibe como nesse tempo se usava, e sonhava então todos os sonhos do mundo. E lembro-me de como tudo aconteceu, embora vão passados bem mais de três quartos de século. Muito, muito tempo…

Foi num sótão mágico que encontrei e conheci Tintin, meu companheiro fiel pela vida fora. Era a morada de um velho amigo da família, que frequentávamos, com passagens secretas e outros insondáveis mistérios. Nem Enid Blyton inventaria uma assim, juro!

Tinha um pátio em forma de claustro monacal, com salas de pedra e penumbra que tínhamos medo de invadir e um falso armário na cozinha, onde começava um túnel com estreita escadaria que ia dar a uma viela próxima…

Mas o local mais interessante do casarão, carregado de surpresas, era mesmo o sótão, apinhado de jornais entre outras atracções ali arrumadas. Estava lá o Papagaio.

O Papagaio era uma revista colorida cheia de ilustrações, que sobretudo me fascinavam até porque ainda eu não sabia decifrar os códigos do soletrar e do ler. As histórias do Papagaio também não podiam contar-me tudo até porque tinha de adivinhar as suas continuações entre as desordenadas folhas soltas dos originais a que tinham pertencido. Tudo ali era um desafio…

Preenchia na medida do impossível a passagem do continua no próximo número ao continuado do número anterior, entre lapsos e falhas, tudo desencontrado sem outro remédio que não fosse a minha imaginação. Foi assim que acompanhei Tim-Tim -nessa tradução lusitana mais tarde percebida- por longes terras, pela América do Norte de Al Capone, pelo enigmático Oriente, por Angola ainda nossa e, sobretudo, pela Ilha Negra. A Ilha Negra!

A Ilha Negra até era o sítio mais próximo, aqui mesmo na Europa,  concretamente na Inglaterra. Para ser preciso e rigoroso, ficava na Escócia, terra de castelos misteriosos e de monstros lendários.

Por lá acompanhei o meu amigo mais o Rom-Rom, fiel cão que só muito depois reconheceria como Milou, o famigerado dr. Silva (ou Müller!?), os dois polícias secretos e por aí fora. A tonalidade etnográfica escocesa, para além do kilt, do scotch whisky ou do castelo mal assombrado, incluía o monstro tradicional. Nessa oportunidade, talvez por mero acaso, não foi Nessie do Loch mas o gorila da Ilha Negra.

Quando estive na Ilha Negra eu usava ainda calças à golf e boné de pala, tal como Tintin, meu amigo desde então. Ambos crescemos como seria inevitável. Mas foi pena, porque gostaria de me ter mantido como então, nesses heróicos tempos com fumos de guerra. Ele correu o mundo, a Rússia e toda a Europa, a China, as Américas, a África mais a Oceânia e até foi à Lua -imagine-se!- enquanto eu permaneci agarrado às raízes domésticas.

E agora, muitos anos depois, vou lá voltar, ao ponto de encontro, como num eterno retorno.

Tenho a certeza, absoluta, de que o Tintin estará à minha espera. Não será no mágico sótão portalegrense onde nos conhecemos, mas nas escocesas margens do Loch Ness. Temos tanto, tanto, para conversar!

E -quem sabe?- talvez Nessie nos queira fazer companhia.

António