pavana para uma gaivota defunta

uma gaivota voava voava asas de vento coração de mar
entretanto a areia torna-se pedra de onde brota a centelha transformada em carne viva

confusa entre canções talvez fosse aí que te perdeste
a liberdade é assim ou devia ter sido na voz dos poetas
que a cantam e tu acreditaste neles
quando fechaste as asas para atravessares a limpidez dos céus
a pique
e paraste no asfalto
onde os sonhos fazem parte do passado
e tu afinal até procuravas o futuro
não mais podes acreditar na poesia
porque ela proclama os impossíveis
perto é um lugar que não existe
e felicidade uma ilusão que nunca se atinge
jonathan livingston seagull é uma treta
mas tu até dispensas o trabalho de aprender
porque já não há lições grátis
asas de morte olhos cerrados coração parado
só se vive uma vez em cada vida
e de cada vez
o céu fica mesmo ali em cima
o mar nem sequer é longe
e tu ficaste no meio de nada

para sempre