Crónicas radiofónicas – vinte e sete – A moldura de Portalegre

O programa hoje recuperado foi emitido originalmente no dia 8 de Fevereiro de 1995, uma quarta-feira, pelas antenas da Rádio Portalegre.

Nele regresso à minha linda cidade, no Alto Alentejo. Quem a não conheça, sabendo-a inserida nesta região, pode logicamente pensá-la inserida numa planura sem fim. Nada mais errado, porque o seu contexto natural é montanhoso.

Localizada na encosta serrana a partir de um vale entre serranias, o seu próprio nome denuncia essa situação, portus (ou portela) alacer, Porto Alegre, Portalegre.

A quem vindo do Sul se aproxime da cidade, é bem patente a inserção do burgo entre os contrafortes de São Mamede e a Penha de São Tomé. A moldura natural da cidade é bastante arborizada. Mas nem sempre assim foi.

Para este programa que intitulei A moldura de Portalegre, parti de um dos estudos de Luís Bacharel, quando ele prestava serviço no Parque Natural da Serra de São Mamede. O saudoso amigo serviu-se de duas obras clássicas sobre a nossa cidade: Diálogos de D. Frei Amador Arrais, datados de 1588, e Tratado da Cidade de Portalegre, de Diogo Pereira Sotto Maior, publicado em 1619, para mostrar com clareza que nesses tempos sitos há mais de quatro séculos nenhum dos autores inclui o pinheiro entre as espécies botânicas existentes no envolvimento de Portalegre. E hoje o pinhal domina nas encostas que cercam a cidade.

O presente revela esta realidade. Como será no futuro?

Esta é a questão com que encerro o programa a seguir disponível.

lembrando Magalhães – quatro

Depois de no dia 13 de Fevereiro de 1521 ter ultrapassado a linha do Equador, navegando para o Norte, a armada de Fernão de Magalhães avistou duas ilhas.

Era o dia 6 de Março, há precisamente quinhentos anos.

Os navegadores chamaram-lhes Velas Latinas, por causa do tipo de velame usado nas embarcações dos nativos.

Fernão de Magalhães aportou numa das ilhas, a que ficava mais a Sul. Esta é hoje a Ilha de Guam, pertencente ao arquipélago das Marianas. Mas a ilha foi na altura baptizada de Ilha dos Ladrões porque os nativos roubaram vários bens encontrados nas naus que visitaram, incluindo um batel.

Em represália, o capitão foi a terra, com quarenta homens armados, incendiando muitas casas e canoas dos residentes.

Depois de recuperar o batel e de se abastecer com água e mantimentos, a armada deixaria Guam no dia 9 de Março de 1521.